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segunda-feira, 6 de junho de 2016

A montanha-russa emocional


Semana passada li uma notícia que me chocou bastante: uma mãe se matou após matar seus filhos de 3 e 6 anos. O motivo? DEPRESSÃO. Segundo pessoas próximas da família, ela apresentou algumas alterações bem sutis de comportamento de uns tempos pra cá, mas como estava sempre bem e não demonstrava em momento algum o quão no limite estava, ninguém jamais desconfiou que ela estava com um quadro de depressão tão grave. E o resultado foi esse: matou os filhos, se matou e deixou um pai e marido arrasado (fora os amigos e familiares, né?) Ou seja, não foi só a vida dela que acabou.
Pra esclarecer um pouco as idéias de quem não está muito familiarizado com o problema, eis uma breve definição tirada da internet mesmo:

"Depressão é uma doença que se caracteriza por afetar o estado de humor da pessoa, deixando-a com um predomínio anormal de tristeza.Todas as pessoas, homens e mulheres, de qualquer faixa etária, podem ser atingidas, porém mulheres são duas vezes mais afetadas que os homens. (...)" (Fonte: ABC da Saúde)

Como não sou psicóloga nem psiquiatra, não vou falar da parte clínica da doença, nem suas variações, nem nada disso. Vou falar da MINHA experiência com essa doença silenciosa, sutil, destruidora de vidas e lares e, muitas vezes, assassina.
A primeira vez que fui diagnosticada com depressão eu estava com 14 anos de idade, prestes a completar 15 anos, mas só fui descobrir isso recentemente, mais precisamente ano passado, quando procurei minha psicóloga - que é a mesma desde aquela época - justamente porque eu desconfiava que sofria de depressão há anos, mas não tinha certeza, daí ela me contou que quando me atendeu pela primeira vez ela falou para os meus pais que eu tinha depressão, ansiedade, fobia social e hiperatividade e que tudo isso junto estava piorando meu quadro de obesidade porque eu estava passando cada vez mais tempo dentro de casa comendo e isso por sua vez, me deprimia cada vez mais. Eu estava num ciclo vicioso altamente auto destrutivo. E pelo que ela observou ao conversar comigo naquela época, eu já estava nessa há um bom tempo (acredito que já estivesse deprimida desde os meus 11 ou 12 anos!!!) sem nem saber e sendo tratada como se estivesse com "frescura" e "rebeldia pré adolescente".
Quando ela me falou isso, foi como se minha mente tivesse entrado em ebulição enquanto um filme da minha vida passava e eu sentia o peso do mundo estar sendo tirado das minhas costas. Me senti como se estivesse finalmente enxergando após passar anos no escuro. Muitas coisas que até então não faziam o menor sentido pra mim, simplesmente se tornaram tão claras que chegavam a ofuscar minha vista. Eu me senti estranhamente aliviada de saber que sofria de depressão, porque isso tem cura. Meu medo era ter vindo mesmo com "defeito de fabrica", porque aí nesse caso, só nascendo de novo...
Por outro lado, também senti uma revolta muito grande porque graças ao preconceito dos meus pais ~ principalmente do meu pai ~, eu passei ANOS da minha vida sendo tratada como uma rebelde sem causa, mimadinha que só faz o que quer quando quer, irresponsável e que só quer chamar a atenção pra si mesma, mas na verdade eu estava sofrendo calada de um mal que pode ser mortal se for ignorado ou se não for tratado corretamente!
Lembro que na época que comecei a ir na psicóloga, as justificativas foram "para ver se descobrimos como aumentar suas notas pra você não reprovar o ano" e "para te ajudar a lidar com a doença da sua mãe" (na época, minha mãe também estava deprimida porque havia sido diagnosticada com uma doença degenerativa e incurável aproximadamente 2 anos antes e estava começando a notar a progressão da doença). Meus pais foram informados do problema maior por trás das notas e da reação a doença da minha mãe, mas como eu era menor de idade, cabia a eles decidir se me contavam ou não e eles optaram por não contar ~ sabe-lá-Deus-por quê ~ e a psicóloga teve que manter o sigilo. E graças a isso, passei tanto tempo sofrendo calada porque achava que eu era assim mesmo, tinha vindo "quebrada" e pronto. Não sabia que esse "meu jeito de ser" na verdade era um estado emocional.
Sempre que eu ouvia ou lia informações sobre depressão e outros distúrbios emocionais, eu me identificava 100%, mas como nunca, nos quase 10 anos de tratamento psicológico, minha psicóloga nunca havia me falado "Olha, você tem depressão", eu achava que era paranoia minha, "coisa da minha cabeça" e até hipocondria eu achei que fosse, já que, teoricamente, eu estava sentindo sintomas de uma doença que não tinha!!
Ano passado quando a procurei justamente com o intuito de questioná-la sobre isso e outras coisas e ela finalmente pode abrir o jogo, já que agora não sou menor de idade mais, fiquei arrasada e aliviada ao mesmo tempo. Arrasada porque talvez se desde o inicio eu tivesse lidando com o problema talvez já teria me livrado dele já que esses anos todos eu fiquei me martirizando tentando entender porque eu era "tão errada" desse jeito. O alívio foi porque vi que "meu defeito" tem conserto e que embora eu não possa voltar no tempo, posso pelo menos tentar ter um futuro melhor.
Quase no mesmo dia que soube dessa mãe, vi uma publicação no site Fatos Desconhecidos com uma lista das coisas que pessoas com depressão fazem em segredo e três delas são justamente o que certamente aconteceu com essa moça que a fez ir ao extremo de acabar com própria vida (e a dos filhos): fingir que está tudo bem, sofrer calada e pensar em suicídio. A lista toda você encontra ~> AQUI <~ e vale a pena dar uma lidinha, principalmente se você é daquelas pessoas que não acredita que "Fulano" tem depressão, só porque ele sorri, sai de casa e não se veste de preto o tempo todo ~ aliás, se você é desse tipo gente, deixa eu dar uma dica: PARE! Você não tem noção do quanto esse julgamento errôneo é chato e só atrapalha a identificação do problema!
Voltando aos 3 tópicos acima citados, eu mesma passei e passo até hoje por eles, principalmente pelo "fingir que está tudo bem". Quando eu falo que tenho depressão, ninguém acredita. Isso é TÃO irritante! As pessoas realmente acham que pra ter depressão você tem que estar o tempo todo chorando e tentando se matar. Gente, sério? Há casos que sim, a pessoa está num buraco tão fundo que não consegue mais ver a luz. Outras simplesmente NÃO QUEREM ver essa luz porque já estão acomodadas lá no escurinho só esperando a morte chegar. E outras, como é o meu caso, estão tentando superar o problema vivendo a vida um dia de cada vez.
Tem dias que SIM, eu penso em como seria "legal" morrer e acabar com meu sofrimento e o sofrimento que causo as pessoas ao meu redor. Tem dias que não quero acordar, não quero sair do quarto, não quero comer ou quero comer até explodir... Mas tem dias ~ a maioria deles ~ que eu tento deixar o máximo dos meus medos, incertezas, inseguranças e dores na cama e me forço a ir buscar uma vida melhor, saio com meus amigos ou sozinha, faço o que gosto, vou trabalhar, vejo gente... Ou fico em casa fazendo artesanatos ou doces pra vender. Enfim, faço o máximo de atividades possíveis afim de ocupar meus dias e principalmente minha mente. Afinal, é como diz o ditado "mente vazia oficina do diabo" e é bem isso mesmo, quanto mais vazia está sua mente mais espaço pra pensar besteira tem, então ocupá-la pode ser um bom inicio na busca pela luz no alto do fundo do poço.
"Sofrer calada", bom, como já disse, passei ANOS sofrendo calada sem nem saber que estava "oficialmente" deprimida. Até hoje sofro calada pelo simples fato de que não é da conta de ninguém saber que estou sofrendo tampouco o porque, até mesmo porque ninguém entende meus motivos e sempre ficam tentando "medir" com os próprios motivos pra mostrar que estão pior. Isso é TÃO irritante! Eu não estou querendo disputar quem está em maior "sofrência", eu só quero desabafar com alguém que não seja profissional sabe? Mas as pessoas tem tanta dificuldade em entender isso que é melhor ficar calada mesmo... evita a fadiga, a ruga e os cabelo brancos.
Quanto ao suicídio, esse é o extremo do extremo. Já cheguei a pensar em suicídio sim. VÁRIAS vezes. Já até teitei a velha tática dos remédios pra dormir, mas não deu certo e dou graças a Deus por isso! Se tivesse dado certo eu teria morrido virgem e não teria sido legal - hahaha! Embora hoje eu não esteja nesse extremo mais, ainda tenho altos e baixos e quando estou nos meus piores momentos ainda penso na morte como saída, mas não chego a pensar em suicídio mais, só em formas "legais" de morrer, como disse ainda há pouco.
Desde a semana passada eu estou numa fase "down" de novo. Geralmente tenho minhas "crises existenciais" perto do meu aniversário ou perto de casamentos e/ou formaturas de pessoas próximas, mas ultimamente tenho tido toda santa TPM. É UMA MERDA! Porque além do descontrole hormonal que descontrola o emocional, ainda tem a danada da depressão pra ferrar tudo, daí eu fico bem mal.
Ironicamente esse final de semana uma pessoa muito querida que também sofre de depressão e estava no auge de uma "crise existencial" me pediu ajuda e eu tive que me fazer de forte para conseguir dar o apoio que ela precisava. Nessa de tentar achar palavras bonitas para ajudar a pessoa, acabei montando uma definição de "Depressão" muito melhor que as que já li até hoje e que explica claramente porque eu não estou chorando o tempo todo nem visto só preto nem tenho marcas recentes de corte nos pulsos:

"Ter Depressão é como estar numa montanha-russa: tem momentos que você está todo 'UHUUUUU', seu astral vai subindo cada vez mais, porém bem de vagar e você vai curtindo cada momento, ate chegar lá no alto e você conseguir ver tudo lá embaixo bem longe e bem pequenininho, algumas cosias você nem consegue ver mais de tão insignificantes. Ai você fica ali parado admirando a vista por um tempo, desejando não sair dali nunca mais. Você sente paz, alívio, felicidade... É bem legal de verdade! Mas ai de repente PAH, sem aviso prévio o carrinho começa a a descer numa velocidade desesperadoramente crescente e você quer que pare mas não tem freio, você quer voltar mas não tem ré e a medida que o carrinho vai se aproximando do chão, parece que vai se espatifar no concreto e você sente um pânico e um desespero tão surreais que chega a ser ficil respirar! Você acha que vai morrer, mas de repente o carrinho desacelera e sobe um pouquinho mas é só o suficiente pra você conseguir respirar um pouco, aí ele desce de novo e sobe outra vez... e por aí vai. É uma montanha russa cheia de loopings e curvas cuja a volta dura muito mais que poucos segundos ou minutos." (da Cunha Reis, Juliana)


terça-feira, 24 de maio de 2016

Adolescente de 30 anos


A minha capacidade de me apaixonar platônicamente é tão incrível que nem Freud explica.
Sério!
Quando eu era adolescente eu tinha tipo uns 1000 "crushes", totalmente platônicos e isso era OK porque afinal eu era uma adolescente e diziam que era algo absolutamente saudável e que com o tempo essa "fase" passaria.
Legal, então.. vamos aguardar essa "fase" passar então...
Não, pera! Já não deveria ter passado? Já estou com 30 anos e continuo me apaixonando platônicamente e sofrendo por homens (em sua maioria comprometidos!) que sequer sabem da minha existência! Afinal, quanto tempo essa "fase" deveria durar?! Houston, temos um problema!
As vezes eu penso ~ de coração! ~que tem de fato um problema comigo, porque não é possível, gente, uma pessoa normal com 30 anos de idade ficar na "mó bad" (traduzindo pra linguagem de hoje: "sofrência" do incio dos anos 2000) por um sujeito que sequer sabe da minha existência ou que as vezes até sabe, mas não faz ideia de que o simples fato de ele ser simático comigo, me adicionar no Face e no Insta e curtir e/ou comentar algumas fotos minhas está me fazendo ter altos devaneios de como a vida seria maravilhosa quando estivermos colocando nossos filhos pra dormir cantando um dos hinos do rcok 'n roll e tal...nossa seria emocionante! T_T
Mas não acontecerá. Por quê? Porque obviamente cavuquei o Face dele até descobrir que ele É CASADO
!
Porque tem essa também: não basta só se apaixonar platônicamente, tem que stalkear o crush! Comigo é assim: serviço-VIP-completo-platinum-blaster! :P
Agora estou aqui com 30 anos me sentindo uma adolescente idiota, imatura e sem controle dos próprios sentimentos. :(
Além de estar decepcionada com o Cupido de novo, que só me mete em furada, e estar com coração partido ~ sendo que eu mesma o parti criando ilusões sem noção.






quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

De volta pra casa

Sempre que eu ouvia alguém reclamar do Brasil após passar um tempo em outro país, eu achava que era frescura, exagero, que a pessoa estava sendo esnobe e que estava querendo tirar onda com a minha cara. Mas daí eu (finalmente!!) passei por essa (terrível) experiencia.
Retornei para o Brasil em outubro de 2014 após passar 1 ano e 11 meses fora e a sensação que eu tive foi a de que nunca havia pisado aqui antes.
Estava TUDO diferente e ao mesmo tempo igual.
Foi bem confuso.
Parecia que eu havia apagado da minha memória todos os 26 anos que havia vivido aqui e só me recordasse dos últimos quase 2 anos da minha vida.
Daí eu percebi que os "reclamões exagerados e esnobes" na verdade estavam certíssimos! Quando a gente vai pra fora, principalmente para países ditos "melhores", o choque que se sente ao retornar é muito grande! Principalmente se você for pra viver 100% inserida na cultura do outro país por um longo período de tempo.
Já se passou mais de 1 ano do meu retorno e algumas coisas aqui ainda me chocam, como se fossem super inéditas mesmo não sendo. Por que será? Estranho né?
Eu sei que quando a gente tem um experiência dessas a gente cresce, amadurece, muda e quem (e o que) fica, fica na mesma, por isso o contraste é inevitável, mas poderia ser menos drástico né?
Eu ainda me pego estranhando o calor, estranhando a ineficiência da justiça, o pouco caso dos políticos e a falta de educação e respeito da maioria dos brasileiros, coisas que já existiam antes de eu ir e que já me incomodavam mas agora me incomodam absurdamente mais!
Eu voltei meio intolerante, eu acho... Ou será que as coisas mudaram mesmo?
Sempre me pergunto se "sou eu as coisas mudaram mesmo? Será que o país piorou mesmo ou fui eu que fiquei mal acostumada com um 'país de primeiro mundo'?"
Acho que os dois né?
Sinto uma sensação constante de "não pertenço a esse lugar", sendo que eu SOU daqui, eu TENHO que pertencer! É estranho pensar que por causa de míseros 2 anos fora sua pátria mãe se tornou uma completa estranha.
Me sinto bem mal com isso... Parece que estou menosprezando meu país, mas não estou! Bom, pelo menos não intencionalmente...
Isso me frustra e me deprime um pouco... me faz ficar saudosa demais de uma época que não voltará mais. E isso é PÉSSIMO!
Só espero que passe logo... Ouve dizer os primeiros 6 meses pós retorno são os piores, mas pelo visto eu fugi da regra até nisso, porque sigo aqui sofrendo pra me readaptar ao meu país de origem.
Será que algum dia vou me readaptar de fato?